Dois estudantes do curso de Pedagogia da Escola Normal Superior da Universidade do Estado do Amazonas (ENS/UEA) e integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisa em Fundamentos da Educação e Ensino de Ciências marcaram presença no XV Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (Enpec), realizado entre os dias 4 e 8 de agosto de 2025, em Belém, no Pará. João Cordeiro e Keitiane Burlamaqui apresentaram trabalhos que dialogam diretamente com questões de identidade, território, ciência e inclusão.

O evento, na sua décima quinta edição, reuniu representantes de todas as regiões do Brasil com o objetivo de promover discussões entre diferentes saberes e práticas no campo da Educação em Ciências. Com o tema “Vidas em confluência na partilha de saberes”, o Enpec convidou pesquisadores, professores e estudantes a refletirem sobre a vida no centro das políticas e práticas científicas. Foi nesse ambiente que os acadêmicos compartilharam seus conhecimentos sobre a produção de novas formas de ciência na Amazônia.
João Cordeiro apresentou o trabalho “Corpos e saberes em confluência: A fenomenologia das vivências LGBTQIA+ e a influência do ensino de ciências no processo escolar de universitários amazônidas”, voltado a escutar e analisar as experiências de estudantes LGBTQIA+ da UEA e como suas trajetórias se relacionam com o ensino de ciências. A proposta trouxe à tona o papel da educação na construção de espaços mais inclusivos e afetivos para corpos dissidentes.

“A troca de experiências foi extremamente enriquecedora, pois abriu espaço para pensar uma outra ciência, uma ciência que não se limita apenas à razão mas que, também, acolhe o sensível, a vida e as múltiplas formas de existir. É um sentimento incrível, sobretudo enquanto estudante de graduação, poder levar a ciência produzida no Amazonas para outros estados. É a oportunidade de afirmar que nossas pesquisas carregam não apenas dados e teorias mas, também, a força da nossa realidade, cultura e território”, relatou João.
Keitiane participou com o trabalho “Corpos da diferença e o currículo nômade no ensino de ciências”, uma proposta que rompe com a ideia de ensino fixo e propõe um currículo fluido, construído em movimento com os corpos, afetos e contextos. Sua pesquisa defende que o ensino de ciências deve dialogar com as realidades vividas e reconhecer a diversidade como parte essencial da produção de conhecimento.

“O Enpec reuniu professores, pesquisadores e estudantes de diversas regiões do Brasil, o que possibilitou o confronto de diferentes olhares sobre o ensino de ciências. Esse intercâmbio ampliou minha compreensão sobre a potência de um currículo mais plural”, afirmou Keitiane. “Levar o trabalho produzido no Amazonas a um evento nacional como o Enpec é levar muito mais que uma pesquisa. É deixar a floresta falar por meio de nossas pesquisas e perceber que ela ecoa não apenas como paisagem, mas como presença ativa e necessária nos debates e práticas educacionais do país”, destacou Keitiane.










