Programa da UEA que monitora qualidade de água inicia segunda etapa de análises em Manaus

Na embarcação, 15 pesquisadores doutores, 70 estudantes de pós-graduação e uma média de 20 técnicos da UEA realizaram a primeira etapa do ProQAS/AM

Tornar-se um dos maiores programas de monitoramento ambiental do mundo. Essa é a meta do Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Estado do Amazonas (ProQAS/AM) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O desafio iniciou em março deste ano, com a entrega do barco de pesquisa “Roberto dos Santos Vieira”. Na embarcação, 15 pesquisadores doutores, 70 estudantes de pós-graduação e uma média de 20 técnicos da UEA realizaram a primeira etapa do ProQAS/AM: o monitoramento da qualidade das águas de Manaus, com foco nos corpos d’água da região metropolitana.

A segunda etapa da coleta das análises de água, iniciada em agosto, percorre 45 pontos, distribuídos nas bacias do Tarumã-Açu, Tarumã-Mirim, Puraquequara, Educandos e São Raimundo. O cronograma prevê quatro expedições anuais, duas na cheia e duas na vazante, para a coleta e análise dos dados.

O monitoramento pretende verificar as variações que ocorrem nos efeitos físicos, químicos e biológicos da água em decorrência das atividades humanas e de possíveis fenômenos naturais, como as chuvas e as secas.

“A UEA está na vanguarda do monitoramento ambiental no Amazonas. Esse é um dos projetos que engloba o programa que foi criado dentro da UEA e incorpora todo o monitoramento da bacia amazônica. Provavelmente, quando todos os 12 projetos estiverem funcionando, ele estará entre os maiores do mundo. Esse é o primeiro passo”, destacou o coordenador do Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia da universidade (GP-QAT/UEA), Sergio Duvoisin Jr.

No barco são realizadas as seguintes análises, conforme o Plano Estadual de Recursos Hídricos do Amazonas (PERH/AM): coliformes termotolerantes, pH, condutividade elétrica, oxigênio dissolvido, DBO5, DQO, cloretos, fosfato, fósforo total, nitrato, nitrito, nitrogênio amoniacal total, nitrogênio total Kjeldhal, sólidos dissolvidos totais, sólidos totais, turbidez e metais (alumínio dissolvido, cobre dissolvido, ferro dissolvido, alumínio total, cobre total, ferro total, manganês total, zinco total, cádmio, chumbo, cobre, cromo, mercúrio e níquel).

Para esses levantamentos, o programa conta com o apoio dos alunos de mestrado e doutorado em Clima e Ambiente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em parceria com a UEA. Uma das alunas é Sara Loiola, que explica que as análises são gerenciadas pelo grupo de pesquisa e disponibilizadas em um site. “Todos os dados são disponibilizados no site para acpopulação de forma entendível, em IQA (Índice de Qualidade de Águas), que é uma nota que vai de 0 a 100. Então a pessoa pode olhar lá e ver 0 = péssimo e 100 = excelente”.

Além disso, cada bacia analisada tem um vínculo científico com algum aluno de mestrado ou de doutorado. “Ele vai ser responsável por fazer a publicação científica e divulgar os dados para a comunidade acadêmica. Estamos na segunda campanha do barco e é necessário que sejam feitas outras campanhas com uma série de dados para que possa ter um comparativo e afirmativo a respeito da representação”, salientou a aluna de mestrado.

Propositura do IQA da Região Norte – Mais de 73% dos recursos hídricos do País estão na bacia do rio Amazonas. Porém, a região Norte ainda não possui o Índice de Qualidade das Águas (IQA), principal índice de qualidade da água utilizado no país. Uma das propostas do programa é realizar o levantamento dos dados para auxiliar e propor a construção do índice para cada macro bacia da região Norte.

A gerente de pesquisa do GP-QAT/UEA, Carla Estefani Batista, endossa a importância do estudo e a coleta da água, pois características das águas da Região Norte são diferenciadas das águas das regiões Sul e Sudeste. “Nós não podemos generalizar isso, porque as nossas águas apresentam diferenças. O grupo está empenhado no levantamento para realizarmos todos os cálculos e equações necessárias para termos o nosso IQA que vai valer para a nossa região. Aí, o nosso país vai ter um banco de dados completo e poderá discutir melhor as diferenças que temos”, reforçou.

O gerente de pesquisa do Laboratório de Química Aplicada à tecnologia da UEA, Rafael Lopes e Oliveira, reforça que a UEA é uma peça-chave no desenvolvimento intelectual do Amazonas. “A ideia é que comecemos a gerar conteúdos que realmente façam relação entre o cidadão amazonense e as suas belezas naturais. O Amazonas é o grande detentor de água no mundo, então é hora de começar a mostrar como essa água está sendo cuidada”, observou.

ProQAS/AM – O grupo de pesquisa iniciou as atividades em 2008, sendo o programa uma iniciativa pioneira do Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia da UEA, aprovada pelo Governo do Estado (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) e pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam).

Os projetos do ProQAS/AM são divididos nas etapas de Monitoramento de Qualidade de Águas nas regiões da Grande Manaus; de Nova Olinda do Norte – Humaitá (rio Madeira); Manaus – São Gabriel da Cachoeira (rio Negro); Manaus – Tefé (rio Solimões etapa 1); Tefé – Tabatinga (rio Solimões – etapa 2); Manaus – Parintins (rio Amazonas); e rios fronteiriços e transfronteiriços.

Além disso, o programa visa o monitoramento de sedimento de corrente e solos; da qualidade do ar da Grande Manaus; da Água de abastecimento público e do impacto de aterros e lixões nos 62 municípios do Estado. Há, ainda, o projeto de construção do prédio sede do ProQAS/AM, na Escola Superior de Tecnologia (EST/UEA).

Sobre o barco – A embarcação, orçada em R$ 10 milhões, abriga laboratórios divididos por metodologias de pesquisas: analítica e via úmida; e microbiologia e prospecção. Além disso, conta com equipamentos como espectrofotômetros na faixa do ultravioleta e visível, cromatógrafo em fase gasosa acoplado a espectrômetro de massas, medidores de demanda bioquímica de oxigênio, nitrogênio (Kjeldhal), estufas de secagem, microbiológica e tipo BOD.

Para saber mais sobre as atividades do GP-QAT/UEA, acesse o site do grupo de pesquisa disponível no link: www.gp-qat.com

Texto e Fotos: Jacqueline Nascimento/Ascom UEA

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